O primeiro Museu de Música Mecânica em Portugal

A geração futura poderá finalmente ter acesso estas caixas falantes que remontam à segunda metade do Séc. XIX e primeiras décadas do Séc. XX.Image

O futuro museu vai ter lugar em Palmela e irá contar com uma exposição permanente da colecção privada de Luís Cangueiro que abrange um total de quinhentos e cinquenta instrumentos de música mecânica.

“A música é algo intrínseco ao ser humano. A sociedade contemporânea tem uma relação diária com gira-discos, leitores de cassetes, ipods, iphones…”, afirma Luis Cangueiro, “A história é a memória da humanidade, e será através das sonoridades que estes instrumentos nos transmitem que as gerações vindouras poderão recriar e reviver uma época já  longínqua”

A prática coleccionista de Luís Cangueiro remonta a muitas décadas atrás. Em 2000, a colecção de instrumentos de música mecânica já contava com cerca de três centenas de peças. Como consequência, o proprietário deste importante espólio  decidiu que se justificava a construção de um espaço próprio, de forma a poder preservar e expor estas peças de forma condigna . Tratar-se-ia de um espaço museológico privado, de acesso restrito a familiares e amigos. O interesse em aumentar a área de construção de um pequeno espaço, destinado a utilização privada, seria transformar a edificação já quase concluída num projecto de museu que pudesse ser considerado de relevante interesse cultural. “A iniciativa da construção deste museu tem como objectivo contribuir para a divulgação da música mecânica, muito pouco conhecida em Portugal, ao contrário do que acontece com outros países da Europa.”, acrescenta Luis Cangueiro.

As previsões para a conclusão das obras de construção do museu apontam para para o próximo ano.

A colecção prima pelas diversas tipologias que se distribuem pelos mais variados instrumentos. Estes têm como objectivo tentar compreender a importância e o lugar que a música ocupava na sociedade da época da segunda metade do Séc. XIX até aos anos 30 do Séc. XX. O acervo divide-se nas duas grandes áreas da música mecânica: os instrumentos de música mecânica e os fonógrafos e gramofones.

A primeira forma de instrumento musical mecânico foi a caixa de música de cilindro, tornando possível ouvir-se música em casa sem ter que aprender a tocar um instrumento. Dentro desta parte da colecção é possível encontrar as diversas tipologias dos instrumentos de música mecânica: caixa de música de disco metálico, caixa de música de cilindro metálico, o autómato, o instrumento de cilindro de madeira, o instrumento de suporte perfurado e diversos objectos ligados a estes instrumentos.

A segunda área da música mecânica é dedicada aos fonógrafos e gramofones. Estes aparelhos tornaram possível gravar e reproduzir no momento seguinte a voz humana pela primeira vez. Estes têm a capacidade de nos transmitir a sua sonoridade por intermédio de cilindros que imortalizam as canções dos artistas do passado.

O primeiro fonógrafo foi apresentado por Thomas Edison em 1877. Esta máquina era constituída por um cilindro posto em movimento por uma manivela e recoberto por uma folha de estanho muito fina. “Num dos lados havia um estilete preso a um diafragma para gravar o som, e no outro uma agulha presa a um outro diafragma para o reproduzir. Edison pôs lentamente em movimento o cilindro e recitou um poema infantil ‘Mary had a little lamb’, ouvindo-se a sua voz a reproduzir estes versos.”, explica o coleccionador, “Assim, tinha acabado de nascer a primeira máquina falante, o ‘Tin-Foill Phonograph’, a primeira invenção com a capacidade de registar a voz humana”.

O surgimento do fonógrafo levou o público a desinteressar-se pelos instrumentos de música mecânica. Posteriormente foi a vez do gramofone se impor em relação ao fonógrafo.

O Gramofone foi inventado por Berliner em 1887. O gramofone substituiu claramente o fonógrafo como instrumento de reprodução, sendo considerado como o grande precursor dos gira-discos eléctricos que chegaram até aos nossos dias.

Nesta colecção estão incluídos diversos modelos de fonógrafos e gramofones: gramofones de viagem , gramofones de criança, grafonolas, objectos relacionados com esta área como brinquedos musicais, agulhas, etc. e as formas de comunicação utilizadas na promoção destes aparelhos.

O aparecimento da telefonia fez com que os gramofones perdessem gradualmente a sua influência.

Durante décadas as máquinas falantes que constituem esta colecção eram os únicos meios para divulgar a música.

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Perante o som destas caixas falantes no plano acústico, estas são restauradas permitindo a audição destas sonoridades que nos transportam para o plano sentimental ao despertar uma profunda nostalgia através da recriação do fascínio que provocou nas gerações passadas.

A colecção começou como um passatempo, tornando-se no primeiro museu dedicado à musica mecânica. Neste espaço é impossível resistir à audição dos sons mágicos e nostálgico, produzidos e reproduzidos por estas máquinas falantes. É através da memória auditiva dos visitantes que ficará parte da essência da sociedade desta época.

Este museu será o palco de um concerto do passado. “Ver, ouvir e sentir” é a mensagem que se deixa a todos os visitantes que se aventurem nesta viagem musical.

A difusão desta arte permitiu o universo de uma linguagem musical, sem barreiras linguísticas.

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